Abasto

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Embora o Abasto não seja reconhecido como bairro “oficial” no mapa portenho –ele pertence ao bairro de Balvanera–, com certeza ele é um lugar com identidade e marca próprias. Sinônimo de tango por excelência, cada esquina conserva um quê do início do século XX que se reflete nas casas coloridas e cortiços que ainda existem; nos restaurantes, onde a música e o baile se liberam; e em pequenos teatros espalhados por todos seus cantos. Se você passear sem rumo por suas ruas e sua história, com certeza se surpreenderá.

Abasto é cor, cultura e espírito portenho

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Mas ainda tem mais. Com o decurso dos anos, ele tem se tornado um espaço de convívio de diversas coletividades. Cada uma delas imprime sua marca particular, transformando o bairro em um lugar tão fascinante quanto enigmático.

Seu nome se deve ao famoso e histórico Mercado Central do Abasto, que funcionou durante quase um século (1893-1948) como uma grande feira de frutas e verduras da cidade de Buenos Aires. Situado no meio da avenida Corrientes, não é possível evitar parar para contemplar este monumental prédio transformado desde o ano 1998 no Abasto Shopping, que ocupa uma área de 44 mil metros quadrados –entre as ruas Anchorena, Lavalle e Agüero.

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Abasto Shopping


Este importante centro comercial transforma a zona em um lugar muito frequentado durante o dia inteiro. Além do mais, por estar atravessado pela rua Corrientes, é uma passagem obrigatória para milhares de pedestres e motoristas que se dirigem ao microcentro portenho. Se tivéssemos que preparar um roteiro, este seria o ponto de partida. Mas o que acontece ao afastar-se da avenida? O percurso se torna uma viagem no tempo, em que o tango e seu vizinho mais ilustre, Carlos Gardel, são os protagonistas principais.

Se você caminhar pela Anchorena, uma das ruas laterais do shopping, vai chegar a uma travessa criada em homenagem ao “moreno do Abasto”. Na esquina se encontra um monumento erigido em seu nome. E aos finais de semana, se torna um cenário de espetáculos de rua. Porém, se você quiser mergulhar no universo tangueiro, não precisa esperar ao final de semana. A qualquer dia, você pode chegar até o prédio da rua Jean Jaurés, 735, onde Carlos Gardel morou com sua mãe, e que no ano 2003 foi transformado em um museu consagrado a sua vida e obra. Também sobre a rua Anchorena está o bar “El Progreso”, onde Gardel se reunia com seus amigos.

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Carlos Gardel


Além do mais, pela zona –na rua Cabrera entre Anchorena e Agüero– você vai encontrar a casa natal do próprio Aníbal Troilo. Ou o restaurante de Lavalle e Billinghurst, onde Astor Piazzolla costumava comer. E se se desviar alguns quarteirões, sobre a Avenida Corrientes, a Casa de Osvaldo Pugliese, brilhante pianista, diretor de orquestra e compositor. Todos eles grandes expoentes do tango argentino.

Outro imperdível sobre a rua Jean Jaurés é o Paseo del Fileteado, em homenagem a uma forma de pintura decorativa tipicamente portenha que se luze nas paredes das construções.

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Paseo del Fileteado


Mistura de boemia e mundo errante, o bairro tem uma mística particular. Ele oferece, além do mais, inúmeras propostas culinárias, culturais e de lazer para todos os gostos. Em suas ruas abundam os bares, teatros independentes, centros culturais e ateliês de artistas. Propostas para o dia, a tarde e a noite.

Alguns metros mais para a frente da Travessa Carlos Gardel, você vai atravessar a Travessa Zelaya, que com suas ruas de paralelepípedos convida você a andar devagar e com calma. É a rua dos espaços culturais. De um lado, funciona o Centro Argentino de Teatro Cego, único teatro no mundo onde todos os espetáculos são desenvolvidos na escuridão total. Durante a semana inteira, você pode desfrutar de peças realizadas integralmente por pessoas não videntes. Uma experiência única e imperdível. Na frente, uma outra proposta teatral: El Cubo. Café Concert, pátio a céu aberto e bar em um mesmo lugar. Música, obras de teatro, clown, stand up e até feiras de design. Atravessando a rua Anchorena aparece o Espaço Cultural Pata de Ganso, um centro de formação, pesquisa e produção artística. Um cartaz com diversas propostas de dança-teatro a preços super acessíveis.

Se você gosta dos brechós e das feiras de antiguidades, vá pela Anchorena ou a Lavalle, que ali há várias lojas interessantes. Butiques vintage com toques de arte e design; roupa de época, retrô, marcas nacionais e importadas; sapatos e bolsas; objetos de decoração, acessórios e muitas curiosidades mais. Lugares com verdadeiros tesouros escondidos.

A noite chega e, depois de tanto andar, é momento de parar um pouco. Você pode se afastar alguns quarteirões, ir pelas ruas Humahuaca ou Guardia Vieja e mergulhar em um universo mais boêmio (e menos pretensioso). Há bares onde desfrutar da música de bandas ao vivo e gostosos pratos de culinária portenha.

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O Abasto é um bairro para andar e andar e deixar-se surpreender. Vale a pena perder-se em suas ruas e cantos.

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