La Boca

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La Boca é muito mais do que tango, um colorido calçadão e um time de futebol. Trata-se de um bairro, cujo coração bate a um ritmo único. É que nas suas costas, ele carrega o peso de uma história muito singular: imigrantes italianos –genoveses e napolitanos, principalmente–, artistas e marinheiros compunham o quadro da zona durante o século XIX. Sendo uma área alagadiça, frequentemente abalada por enchentes e incêndios, La Boca acabou sendo a síntese daquilo que o porto trazia até sua beira.

O bairro deve seu nome a que é precisamente nessa zona onde o Riachuelo desemboca no Rio da Prata

É o caso das emblemáticas fachadas coloridas. Naquela época, a madeira e as placas acanaladas constituíam os materiais com os quais eram construídos os cortiços –antigas casas onde várias famílias conviviam–, que depois costumavam ser pintadas com restos de pinturas de diferentes cores. O resultado? Fachadas vibrantes, coloridas, sobrepostas; e não tem nada melhor do que a rua Garibaldi para admirar a arquitetura típica dessa época.

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A história de La Boca está presente em cada canto, cada pracinha, cada paralelepípedo. É só caminhar pela Avenida Almirante Brown do Parque Lezama para dar-se conta. Você vai perceber que um amplo mural é a primeira coisa que o fará virar a cabeça: trata-se de uma representação de um cortiço com vários personagens. Diego Maradona, o pintor Benito Quinquela Martín, Carlos Gardel e o bandonionista Aníbal Troilo são alguns dos mais reconhecidos, mas também outras figuras emblemáticas do bairro estão presentes, como a prostituta, o imigrante e o bombeiro –o Quartel de Bombeiros Voluntários de La Boca da rua Brandsen, 567 é um ponto muito interessante.

Se você continuar avançando pela mesma avenida, na interseção com a rua Villafañe você vai encontrar a Torre Fantasma, um prédio de mais de um século de antiguidade. A lenda conta que o último andar foi testemunha do suicídio de uma das inquilinas, a artista Clementina, e que seu fantasma ainda mora naquele lugar. Um pouco mais longe, subindo a numeração, você vai encontrar a chamada Casa Amarela, uma réplica do lar do Almirante Guilherme Brown, marinho irlandês e fundador da Armada Argentina, onde hoje funciona o Instituto Browniano.

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Torre Fantasma


Em La Boca é possível respirar arte, de ontem e de hoje. O Museu de Belas Artes Quinquela Martín, antiga moradia do pintor e muralista, é um dos pontos turísticos mais importantes do bairro. Benito costumava olhar pela janela de sua casa e, com seu característico estilo naturalista, pintava cenas do porto e do trabalho. Ele retratava cenas de seu querido bairro, o bairro onde nasceu e morreu.

Depois da visita, você pode ficar de costas para a escola de ensino fundamental que funciona ali e cujas salas de aula o próprio Quinquela Martín pintou. Deixe-se levar pelos sentidos e atreva-se a imaginar o frenesi do porto de La Boca de antigamente. Complete a imagem mental, visitando a antiga Pracinha dos Suspiros, hoje chamada de Vuelta de Rocha, que imita a coberta de um barco.

Você tem vontade de mais? A Fundação Proa é o seu lugar se o que você procura é arte contemporânea. Com exibições do mundo inteiro –por exemplo, a exposição de figuras tridimensionais do australiano Ron Mueck foi uma das mais visitadas em 2013– e uma livraria muito bem abastecida, a organização sem fins lucrativos está localizada sobre a Avenida Pedro de Mendoza.

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Fundação Proa


De lá, é impossível que seus olhos não enxerguem o famoso Caminito. A rua de só 150 metros é, com certeza, uma das mais emblemáticas do país. Batizada em homenagem à peça de tango, cuja música foi composta por Juan de Dios Filiberto, constitui, literalmente, um museu a céu aberto. Todos os dias, funciona uma feira de artistas plásticos estabelecidos onde antes estavam as vias do trem e, previamente, o curso de um arroio. Estátuas viventes, caricaturas e músicos de rua completam a vibrante fotografia instantânea que ficará gravada no seu olho para sempre. É que em La Boca há arte, e para todos os gostos.

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Mas também há esporte, e os fanáticos do futebol sabem bem disso. Com capacidade para mais de 50.000 visitantes, a Bombonera é um dos estádios mais populares e sede de um dos clubes com maior quantidade de torcedores da Argentina. O Museu da Paixão Boquense, localizado sob uma das tribunas do estádio, complementa a visita. Contudo, na verdade, o percurso não pode terminar sem visitar algum dos inúmeros bares, restaurantes ou antigas mercearias. Porém, para isso você não precisa de guias: deixe-se surpreender por La Boca!

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A Bombonera


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