50 Chaves do Tango

UMA VIAGEM NO TEMPO AO CORAÇÃO DE BUENOS AIRES

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01 de Janeiro

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UMA VIAGEM NO TEMPO AO CORAÇÃO DE BUENOS AIRES

Viajar nem sempre é o melhor livro. Às vezes um livro também pode ser a viagem mais enriquecedora. E Laura Falcoff consegue perfeitamente. Mais do que uma obra literária, 50 chaves do Tango é uma soberba máquina do tempo que te transportará ao coração de Buenos Aires, daqueles gloriosos anos 30.



Como em todas as viagens no tempo há sempre uma primeira estação de boas-vindas. E nesta plataforma imaginária quem te recebe não é mais nem menos que Carlos Gardel: uma das vozes mais reconhecidas da história. Ou melhor, o Elvis do tango, e por que não o Sinatra porteño. Foi o mesmo Gardel quem imortalizou hinos como O dia que me queira (sim, pensou bem, a mesma que Luis Miguel plasmou em seu disco Romance 60 anos depois), Meu Buenos Aires Querido, Loiras de Nova York, entre outras gemas; mas não foi senão ele quem explodiu o Big bang deste gênero musical, espalhando sua mística e fervorosa poesia a todas As culturas e os cantos do planeta.

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Continuemos com a viagem. Mas antes te pergunto: Você se veste elegante? Adorás usar sacos, lenços ou sapatos brilhantes? Porque a autora também te apresentará a um dos personagens mais pitorescos deste universo: o bailarino milonguero. Treinados nos clubes de bairro durante a década de 40 e 50, estes homens da milonga não só adquiriram fama mundial por seu domínio da pista, mas bem por ser uma fonte de sabedoria e a encarnação mais precisa dos segredos e lendas da noite de Buenos Aires.

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Mas é hora de deixar o mundo dos clubes e salões. Não se esqueça de seu smartphone e outros pertences, porque a autora também vai levá-lo para passear pela hipnótica beleza dos bairros portenhos. Almagro, San Telmo, Flores, Boedo, Belgrano Bajo, Villa Crespo e Pompeia, entre outros, mais do que distritos são o próprio berço do tango; “entidades vivas de casas baixas e ruas empedradas; de faróis e barreiras de trem; de conventillos e amigos por toda parte, expressa a autora. Ou em outras palavras, são o fiel retrato de uma Buenos Aires tingida por aquelas ilusões arqueadas e o afã melancólico da vida que o tango soube conferir-lhe, desde o primeiro dia.



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Mas olho: a viagem não termina aqui. Laura também te fará descobrir outros personagens tão impecáveis e célebres como Gardel. Se Carlitos foi o Elvis ou Sinatra portenho, também podemos nos aventurar a dizer que Enrique Santos Discépolo foi como o John Lennon do tango. Comparação não muito avassaladora quando você descobre que este poeta, transgressor indomável, escreveu três das obras mais belas e memoráveis: Cambalache, Um e Esta noite eu estou bêbado.

Também “passearás” pelo esplendor da rua Corrientes; essa mesma que desde 1937 soube ser a febril “Broadway” portenha; a dos Cafés de Notáveis, os cabarés añorados e a musa inspiradora daqueles sombrios poetas. Mas uma viagem no tempo sem a cumparsita é uma viagem perdida. Em um abrir e fechar de olhos, Laura Falcoff te submergirá no “Tango dos Tangos”: o mais famoso do mundo. Composto em 1916 por Gerardo Matos Rodriguez e popularizado em todo o planeta graças aos arranjos orquestrais de diretores como Juan D’Arienzo e Osvaldo Pugliese. “Não há certamente outro tango que tenha maior número de registros fonográficos nem que tenha sido mais utilizado no cinema”, proclama a autora. Basta pensar que La cumparsita foi homenageado em filmes como O ocaso de uma vida (de Billy Wilder, 1950), Uma Eva e dois Adãos (mesmo diretor, 1959), e até inspirou o próprio Woody Allen para as cenas de Dias de Rádio (1987) e Alice (1990).

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E da Nova York de Woody, Laura te leva sem escala ao Sul, mas não exatamente a um ponto cardeal mas à magnífica obra de Homero Manzi: outro dos lendários autores que o tango soube conseguir. Sul: Que argentino não cantou este tango, mal ou bem, alguma vez em sua vida, improvisa Falcoff. Mas Manzi foi um passo mais além e junto a Aníbal Troilo (um bandonionista nível “Deus”) compuseram outros marcos do repertório tanguero, como Che bandônio, Romance de Río e Discepolin, entre outros. Igualmente cativante e sagaz é a passagem que Laura dedica sentidamente a outro herói da Liga do Tango: Astor Piazzolla. Mas o mais admirável é como ela retrata o mais famoso bandido do mundo. Basta deixar-se levar por suas acertadas palavras para dar-se conta de que a prolífica carreira de Astor e as anedotas de vida mais fascinantes que este compartilhou com seu admirado Gardel em Nova York, podem conviver sem olhares em um mesmo “óleo narrativo”.

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Está preparado/a para viajar no tempo ao coração de Buenos Aires? 50 chaves do tango. A jornada de iniciação milongueira que toda pessoa curiosa e sensível deve ter em suas mãos.




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