Radiografia da Avenida de Maio: 10 quarteirões de história e opulência

Encha-se de espírito religioso e percorra a Avenida de Maio como em uma peregrinação, admirando cada símbolo, monumento e anedota que esta fundamental rua portenha tem para lhe mostrar. Deixe-se seduzir pelo esplendor de um passado com promessas de futuro.

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Radiografia da Avenida de Maio: 10 quarteirões de história e opulência

30 de Maio

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Encha-se de espírito religioso e percorra a Avenida de Maio como em uma peregrinação, admirando cada símbolo, monumento e anedota que esta fundamental rua portenha tem para lhe mostrar. Deixe-se seduzir pelo esplendor de um passado com promessas de futuro.

Pensada para se gabar do desenvolvimento do país, a Avenida de Maio foi inaugurada em 1894 e atingiu seu máximo esplendor durante as celebrações do centenário da revolução de 1810. Daí para a frente, graças a sua localização, tornou-se uma testemunha privilegiada dos acontecimentos históricos da cidade. Junto com o vínculo simbólico, constitui a conexão mais direta entre o poder executivo e o legislativo: como em um espelho, de ambas as extremidades se olham a Casa Rosada e o Congresso da Nação, separados por dez quarteirões que atravessam a Praça de Maio e cruzam a Avenida 9 de Julio.





O mais provável é que você inicie a procissão da casa de governo devido a que se trata de uma zona ícone da cidade. Relaxe o pescoço e prepare-se para dar um passeio em que o mais importante será encontrado nas alturas.

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Na frente do Cabido, você vai ver o prédio onde funcionava o diário mais antigo do país –La Prensa– que atualmente é a Casa da Cultura. Sem ser um arranha-céu –ele se ergue até cinco andares acima do nível do solo–, a construção se destaca por causa de sua torre que sustenta a estátua de uma mulher de cinco metros de altura que representa a deusa da sabedoria: Palas Atena.

Caminhe prestando atenção, há centos de motocicletas e ônibus que circulam pelo microcentro. Os motoqueiros se tornaram verdadeiras instituições da zona, tanto quanto os engraxates, as bancas de diários e revistas ou os vendedores de café ambulantes.

E já que falamos em café, quando você chegar à esquina do cruzamento com a rua Peru –a continuação da rua Florida–, você pode fazer uma primeira parada para sentar no histórico bar London City, um dos notáveis da cidade, onde, entre outros acontecimentos, Julio Cortázar escreveu a novela Los Premios na década de ´70.

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Dos dois lados da avenida, você pode descer pra a estação museu Peru, que pertence à primeira linha de metrô, não só da Argentina, como da América do Sul. Tanto o hall de entrada como a gare se encontram conservados igual que quando foram inaugurados em 1913.

Continuemos... Concentre-se na arquitetura dos prédios que alternam estilos italiano, espanhol e francês, com incríveis trabalhos de ferraria em portas, sacadas e janelas, além dos relevos decorativos presentes em quase todas as fachadas.

Quase todas as construções são dignas de uma pausa, por exemplo: o prédio cubo Drabble e o palácio Vera

Entre as ruas Piedras e Tacuarí, reserve mais uma parada obrigatória: o Café Tortoni espera por você com o espírito lendário de ter sido espaço de reunião de importantes intelectuais e artistas, como Jorge Luis Borges e Carlos Gardel, de quem dizem que possuía uma mesa exclusiva no final do salão, onde recebia seus amigos. Hoje, suas paredes são um museu vivente que conta a história cultural argentina desde 1858. Desfrute dos espetáculos de tango e acompanhe-os com a especialidade da casa: o chocolate quente com churros.





Quando reiniciar a caminhada, brinque de encontrar o único prédio que destoa da arquitetura da avenida: trata-se da atual ANMAT (Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica), uma obra do racionalismo alemão, sólida e austera, que pertenceu à empresa Siemens.

Quando chegar à Avenida 9 de Julio, não se apresse para atravessá-la de uma só vez –missão impossível, aliás– e aproveite para contemplar de um lado, o Obelisco, e do outro, o mural de Evita sobre a fachada do Ministério de Desenvolvimento Social. Em uma das pracinhas laterais, o Quixote da Mancha espera por você para encorajá-lo a seguir até o Congresso.

O entardecer é um grande momento para percorrer esta zona e desfrutar de um imponente cartão postal portenho com o céu em tons alaranjados e roxos, e as primeiras luzes de neon das marquises que vão sendo acesas aos poucos.

Depois de atravessar a avenida mais larga do mundo –a 9 de Julio–, analise a arquitetura e os nomes que aparecem neste setor da avenida: você vai perceber que a cultura espanhola monopoliza o panorama em hotéis, bares e teatros. O Castelar é o magnífico hotel que você vai ver em primeiro lugar, de perfil academicista. Ali, se você quiser, pode entrar no apartamento museu em que se hospedou, durante seis meses, Federico García Lorca com motivo da estreia de sua obra “Bodas de sangue”, que foi apresentada na Avenida, o teatro que se encontra no quarteirão seguinte. Inaugurado em 1908, foi sede de companhias espanholas de zarzuela, teatro e ópera. No mesmo quarteirão, no número 1264, se encontra o prédio em que funcionou o primeiro elevador da avenida. E para terminar com as efemérides destes cem metros, na frente se encontra o bar Los 36 billares com mais de cem anos de história e restaurado a novo com suas correspondentes mesas de bilhar, obviamente.

A peregrinação pela Avenida de Maio tem atrações em todos os quarteirões

Atravessando a rua Santiago del Estero, sobre a calçada norte, você vai encontrar o hotel Majestic, que foi inaugurado especialmente para as celebrações do centenário da revolução, em 1910. Ali se hospedaram as delegações dos países convidados. E embora hoje conserve muito pouco de seus tempos de esplendor –trata-se do prédio em que funciona a nada glamorosa Administração Federal da Receita Pública–, sua fachada é um exemplo de art decó.

Neste quarteirão se encontra, do lado sul, uma das obras mais belas da cidade: o palácio Barolo. Há visitas guiadas de dia e de noite, para conhecer seus interiores. Vale a pena descobrir esta joia da arquitetura, construída entre 1919 e 1923, desenhada pelo italiano Mario Palanti. Trata-se de um prédio de 22 andares de estilo eclético, com um fio condutor literário: todos seus espaços fazem lembrar à Divina Comédia, de Dante Alighieri.

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As cúpulas vermelhas que se destacam na última esquina da avenida antes de chegar à Praça do Congresso pertencem ao prédio de La Inmobiliaria. No andar mais alto você vai ver as estátuas de Vênus e Apolo.

Enquanto você descansa as pernas em um banco da praça, aproveite para estudar o belo palácio do Congresso, com sua imponente cúpula esverdeada, e não deixe de parar do lado do monólito que indica o quilômetro zero de onde se contam as distâncias de todas as rodovias nacionais.

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