Arte em Buenos Aires: 5 quadros que você precisa ver

Buenos Aires sempre foi uma das protagonistas da arte latino-americana. A seguir, as 5 obras que você não pode perder em sua próxima visita à cidade.

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Arte em Buenos Aires: 5 quadros que você precisa ver

10 de Novembro

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Buenos Aires sempre foi uma das protagonistas da arte latino-americana. A seguir, as 5 obras que você não pode perder em sua próxima visita à cidade.

Os portenhos, desde logo, sempre olharam para a Europa e o seu legado cultural com admiração. Em 1799 já existia a primeira Escola de Desenho, uma iniciativa de Manuel Belgrano, um personagem histórico argentino que, além de lutar pela independência e de criar a bandeira nacional, tinha a convicção de que o progresso só seria possível, incentivando o conhecimento das artes e da arquitetura.

Porém, a cidade também soube pintar sua própria história, além do Velho Continente. A partir das vanguardas dos anos ´20 e ´30, passando pelas décadas experimentais dos ´60 e dos ´70, até chegar ao início do novo milênio e suas múltiplas iniciativas. A ArteBA, a maior feira nacional de arte contemporânea, que é realizada a cada ano no mês de maio; as edições da Gallery Nights (de abril a setembro) e a Noite dos Museus (em novembro); e, principalmente, a transformação dos espaços dedicados à exibição de obras de arte.

É que, hoje em dia, a cidade acolhe a proposta de outras grandes cidades do mundo... 

Os museus deixam de ser mausoléus e se tornam espaços vivos e vibrantes, que convidam o público não só para ver uma pintura, mas também para experimentar com ela

1- LA SIESTA, DE PRILIDIANO PUEYRREDÓN

Pintor-chave do século XIX, reconhecido pelos temas rurais recorrentes em sua obra, tendo os gaúchos como protagonistas de uma visão romântica e bucólica do Pampa argentino. No Museu Nacional de Belas-Artes (Avenida del Libertador, 1473, bairro de Recoleta), você poderá desfrutar de algumas das mais emblemáticas obras: Un alto en el campo, Recorriendo la estancia… Porém, uma faceta menos visível de Prilidiano Pueyrredón hoje (embora muito provocadora para sua época) foi sua condição de primeiro pintor argentino de mulheres nuas, que produziu quase em segredo. La siesta e El baño são os únicos dois óleos que sobreviveram ao escândalo e hoje são expostos, ironicamente, no mais tradicional e prestigioso museu da cidade.

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2- A PLENO SOL, DE BENITO QUINQUELA MARTÍN

O pintor dos portos, o mestre das cores: esses são apenas alguns dos títulos que foram atribuídos a Benito Quinquela Martín (1890-1977), o artista intimamente vinculado ao bairro de La Boca. Ele foi quem teve a ideia de transformar a rua Caminito em uma galeria a céu aberto e seus quadros mais reconhecidos são aqueles que representam os trabalhadores dos estaleiros. É quase impossível escolher uma das mais de suas 90 obras, expostas no Museu Benito Quinquela Martín (Avenida Pedro de Mendoza, 1835, La Boca), porém, A pleno sol, de 1924, é um excelente exemplo de seu uso explosivo das cores –cores que transcenderiam seus quadros e inspirariam os vizinhos para pintarem suas casas do bairro de La Boca com cores alegres, uma marca que distingue o bairro.

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3- MANIFESTACIÓN, DE ANTONIO BERNI

Nos anos ´30, Antonio Berni já era um artista relativamente conhecido. Porém, só quando voltou a Buenos Aires, depois de uma longa estadia na Europa, passou a se instalar como um dos grandes mestres nacionais. A origem de sua consagração não foi feliz. Nos anos posteriores à Revolução Russa, anteriores à queda da Bolsa de Valores de Nova York, a Argentina não era imune aos vaivéns econômicos mundiais. Berni percebeu o grande descontentamento social e sentiu que estava sendo interpelado. O resultado: o quadro Manifestación, uma obra emblemática da arte como denúncia política que, atualmente, se encontra no Museu de Arte Latino-americana (conhecido como Malba; Avenida Figueroa Alcorta, 3415, Bairro Parque). Inspirado no muralismo mexicano, Berni resolveu pintar em grandes dimensões, utilizando como suporte sacos de juta (aqueles que eram usados para carregar batatas) em lugar da tela típica. Uma curiosidade: a fim de criar esses rostos sofredores, cheios de realismo, Berni saía para as ruas com sua câmara Leica. Uma parte desse arquivo se encontra atualmente no Malba e pode ser consultado. Dessa maneira, é possível reconhecer que rostos reais foram melhor representados.

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4- TÚ Y YO, DE XUL SOLAR

Inspirado por Jorge Luis Borges, Oscar Agustín Alejandro Schulz Solari, melhor conhecido como Xul Solar, não foi somente um pintor, mas também escultor, escritor, inventor de idiomas e, sobretudo, criador de universos fantásticos. Embora tome elementos vanguardistas e possua um claro vínculo com Paul Klee, sua obra é essencialmente hiperpessoal e se encontra cheia dos máximos interesses do artista: astrologia, misticismo, geometria, linguagens, simbolismo.

Visitando o Museu Xul Solar (Laprida, 1212, Bairro Norte) você poderá explorar a fundo seu particular universo criativo. Nele, você poderá admirar todo seu legado, de sua emblemática obra Tú y yo e outros quadros, objetos e esculturas, até os mais de 3.500 volumes que faziam parte de sua adorada biblioteca.

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5- EJERCICIO PLÁSTICO, DE DAVID ALFARO SIQUEIROS

A obra de um dos máximos artistas mexicanos foi realizada nos arredores da cidade de Buenos Aires e contou com a participação de grandes mestres locais, como Antonio Berni e Juan Carlos Castagnino. Conforme seu nome indica, este mural é o resultado de uma busca, de uma experimentação e, além do mais, é o único de Siqueiros sem conteúdo político. Ele é considerado uma obra-prima da cultura latino-americana. O quadro Ejercicio plástico, que foi pintado em 1933, restaurado de 1990 a 2008 e finalmente relocalizado no Museu do Bicentenário (Avenida Paseo Colón, 100, Centro), poderia ser descrito como uma imensa caixa de cristal que procura transmitir “sensação de mar”. Imperdível.

Arte Buenos Aires

SE VOCÊ TEM INTERESSE EM CONTINUAR CONHECENDO O PATRIMÔNIO ARTÍSTICO DE BUENOS AIRES, HÁ ESPAÇOS PARA TODOS OS GOSTOS...





Para descobrir o legado mais tradicional da cidade, visite o Museu Nacional de Arte Decorativa (Av. Del Libertador, 1902, Palermo), o Museu de Arte Hispano-americana Isaac Fernández Blanco (Suipacha, 1422, Retiro) e o Museu de Artes Plásticas Eduardo Sívori (Av. Infanta Isabel, 555, Palermo). Se você se interessa pelas expressões mais vanguardistas, não deixe de visitar o Museu de Arte Moderna (San Juan, 350, San Telmo) e o Museu de Arte Contemporânea (San Juan, 328, San Telmo). Finalmente, além do Malba, há mais três iniciativas privadas com coleções impressionantes: a Fundação Proa (Avenida Pedro de Mendoza, 1929, La Boca), o Faena Arts Center (Aime Paine, 1169, Puerto Madero) e o Museu Fortabat (Olga Cossettini, 141, Puerto Madero).


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