O que fazer em Tigre e San Isidro

Um paraíso a meia hora do caos

LEIA MAIS

O que fazer em Tigre e San Isidro

07 de Fevereiro

SHARE:

Um paraíso a meia hora do caos

O bairro de Tigre e o delta do Rio Paraná: O que fazer e o que ver em Tigre

Um rio caudaloso que desemboca num outro rio forma o quarto maior delta do mundo. Um passeio de ruas e avenidas de água enquadrado por uma paisagem silvestre, tranquila e silenciosa. A trinta minutos do Cabido ou da Praça de Maio, em direção ao norte, os subúrbios da cidade de Buenos Aires se tornam uma zona de natureza silvestre com centos de ilhotes que formam o delta do Rio Paraná que, até hoje, continua crescendo. Estamos falando do local onde o Rio Paraná desemboca para se encontrar com o Rio da Prata e fundir as suas águas em um jogo de forças onde os limites se esfumam e começam a se confundir com o mar, primeiro e, depois, finalmente com o nirvana do oceano.

De carro, de ônibus, pela autopista, de trem ou de barco, é possível chegar até a localidade de Tigre com quase todos os meios de transporte. A partir da Estação Fluvial, os aventureiros –e os nem tanto– poderão mergulhar neste universo de ilhas. O contínuo crescimento do delta responde à sedimentação constante que o aluvião da água do Rio Paraná traz consigo –alimentado pelos rios Bermejo e Iguaçu– que termina formando os centos de ilhas lotadas de uma flora e uma fauna poderosas, semelhantes às de uma floresta tropical. Até para os próprios portenhos, o delta é sinônimo de paraíso, de silêncio, de serenidade e de natureza a poucos quilômetros de casa.

Tigre & Delta Parana   

Por onde passear em Tigre - O que fazer em Tigre, Buenos Aires

Rios, arroios e canais se abrem através de ilhas de diferentes tamanhos, todas elas com forma de prato de sopa, ou seja, com as suas margens ou os seus albardões altos e os seus centros baixos e alagadiços. Daí que, durante o percurso de barquinho, lancha, bote, caiaque ou canoa possam ser vistas as casas dos vizinhos deste bairro sem carros, ruas nem avenidas. O Delta do Rio Paraná seria uma espécie de Veneza silvestre, ao natural, com ruas e avenidas de água.




Os cais de madeira e as casas construídas sobre pilotis fazem parte da típica paisagem ribeirinha, junto com os chorões, as corticeiras, as casuarinas, os juncos e os liquidâmbares, sobre os quais crescem os cravos-do-mato e as barbas-de-velho. As vistas para os canais e arroios com o vento sobre a cara e com seus claro-escuros de raios de sol que atravessam a intrincada rede de árvores, folhas e galhos criam verdadeiros cartões-postais de paz que parecem estar envolvidos na cruzada de convencer o visitante para ir morar nesse lugar, a fim de descobrir o ritmo pausado e silencioso da vida local com lojas de armarinhos montadas em lanchas e tardes de sol e chimarrão sobre os cais.

O delta no verão

Todas as estações possuem seu charme no delta. O verão explode com atividades aquáticas entre as quais o remo é um dos hits infaltáveis. De fato, o Tigre está lotado de clubes de remo como o Rowing inglês, que foi o primeiro a se instalar no local. Nas ilhas funcionam clubes de recreio abertos para o público, restaurantes como “El gato blanco” e todo tipo de pousadas, cabanas e hotéis como “El Descanso” –onde contam que a Madonna já se hospedou– e o “Delta Eco Spa”, que surpreende com uma estrutura baseada sobre um labirinto de passarelas de madeira que atravessam o rio em diversas direções.

O delta no outono

O outono, sempre amável em Buenos Aires, surpreende com um arco-íris de folhas: uma paleta de cores que vão do marrom, passando pelo amarelo, o vermelho e o alaranjado, até o dourado. E como o verão deixa um quê de calidez no ar, os passeios aquáticos continuam sendo um prazer.

Tigre & Delta Parana

O delta no inverno

O inverno convida a ficar em terra firme para evitar o frio úmido da zona. Durante esses meses, o Tigre desdobra todo o seu esplendor e oferece diversas atividades para todos os gostos: o Museu do Tigre –um casarão requintado, onde a arte argentina é exposta, e que também é utilizado como locação para dezenas de filmes e publicidades de TV e no qual se destaca o impressionante terraço, donde, no passado, os aristocratas da região contemplavam as regatas–; o cassino para os jogadores; o “Parque de la Costa”, para quem vem passear com crianças; o “Parque Victorica” –uma extensão de dez quarteirões com grama bem cuidada, luminárias, bancos e um festival de lojas gastronômicas para à sua escolha–; e o “Puerto de Frutos”, no qual, em um punhado de lojas, é possível adquirir cítricos, ameixas, marmelos e objetos de vime, que são característicos das ilhas.

O delta na primavera

Uma multidão de espécies de aves de diferentes cores e tamanhos se congrega no delta durante a primavera, justo quando as azaleias florescem e as árvores se pintam de verde. Nesta época do ano, é possível dar passeios de barco, para se desfrutar plenamente dos sons próprios de uma natureza silvestre, em crescimento e a poucos minutos do caos urbano.

Duas dicas imperdíveis para o ano inteiro: a casa de Sarmiento –uma das figuras históricas mais admiradas da Argentina– absolutamente envidraçada para evitar possíveis danos por causa da água, e a casa de chã “Alpenhaus”, onde são servidos os doces austríacos mais gostosos.




San Isidro: entre algibes e mansões - O que fazer e o que ver em San Isidro

Arquitetura e urbanismo colonial. Esportes e cultura. A comarca de San Isidro combina aristocracia e beleza nos subúrbios da cidade.

Trata-se de um dos subúrbios mais aristocráticos e antigos do país. Os portenhos a chamam de “zona norte”, como se San Isidro não fizesse parte da grande Buenos Aires, mas fosse só uma extensão residencial da capital. San Isidro começa na autopista Panamericana e se estende até as margens do Rio da Prata e, nesse percurso, impõe-se como um destino em que a cultura, os esportes, a arquitetura e a vida colonial do século XIX confluem em cartões-postais inesquecíveis. A comarca de San Isdiro –enorme em sua extensão com localidades como a própria San Isidro, Acassusso, Martínez e Beccar– conta a história do povoado que uma vez foi a Buenos Aires colonial, com um núcleo histórico com pavimento de paralelepípedos e que ainda conserva algumas das casas de final de semana das famílias portenhas mais abastadas. Hoje, esse espírito continua em vigor: a maioria das casas possuem jardim e piscina, além da presença de luxuosos bairros privados, como o “Boating”, que oferece aos seus vizinhos cais individuais. Junto com uma arquitetura de estilo colonial, mas também moderno, a parte alta do barranco que atravessa todo o corredor da avenida “Del Libertador”, oferece as melhores fachadas para admirar sempre de baixo, onde as vias do trem “De la Costa” e as margens do Rio da Prata se unem em um passeio de horizonte duplo: o do rio e o das mansões do barranco.


Catedral de San Isidro


O que ver em San Isidro

Cultura e urbanismo

Da época da colônia é recomendável visitar a chácara “Los Ombúes”, que conserva a arquitetura colonial original, com algibe, pátio central, galerias e jardins. A catedral de San Isidro, localizada de frente para a praça principal, é mais um ponto que deve ser visitado obrigatoriamente, junto com o Palácio Sans Souci e a Vila Ocampo, a residência de verão de Victoria Ocampo, uma prestigiada e vanguardista escritora argentina que adorava receber visitas de figuras intelectuais da época, entre as quais, Graham Greene, Albert Camus, Saint Exupery, Le Corbusier, Pablo Neruda e Ortega y Gasset. As salas e os jardins dessa bela mansão têm sediado intensos debates e palestras de grandes pensadores.

Catedral do rugby

Em harmonia com o nível econômico e social das casas e mansões da localidade, San Isidro também é uma zona de colégios bilíngues e exclusivos, só aptos para aqueles que possuem as fortunas necessárias para pagarem as mensalidades. Além do mais, ela é considerada a capital do rugby, por albergar dois dos clubes históricos desse esporte na Argentina: o Clube Atlético San Isidro (CASI) e o San Isidro Clube (SIC).

Mansion Villa Ocampo

Esportes e gastronomia

O passeio para San Isidro pode incluir uma visita ao Hipódromo, o primeiro com pista de grama, onde todos os anos é realizada a corrida “Carlos Pellegrini”, uma das mais importantes do país. A proximidade com o rio acrescenta um perfil náutico para a localidade, com escolas e lugares –Peru Beach é o mais famoso– onde é possível aprender e praticar windsurfe e kitesurfe.
No roteiro o que fazer em San Isidro não pode faltar a gastronomia que se estende por duas zonas: a avenida Dardo Rocha, com restaurantes exclusivos com vistas para o Hipódromo, e toda a zona baixa, chamada de “El Bajo”, onde é possível encontrar diversos bares de moda e restôs com o rio por horizonte. San Isidro conta com um pequeno centro comercial, embora o seu verdadeiro charme se encontre na arquitetura, o urbanismo, a natureza, a história e a importância dos esportes.




SHARE:

O que está acontecendo em #buenosaires